Shopping Center Brasília associa-se às muitas homenagens a Agustina Bessa-Luís.

Dia 8 de Junho, pelas 15H30 a prosa, a poesia e o teatro de Agustina será o mote para mais uma sessão de a Tabacaria.

“Fim – o que resta é sempre o princípio feliz de alguma coisa.”

Agustina Bessa-Luís, nome literário de Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, nasceu em Amarante, a 15 de Outubro de 1922. É descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família espanhola de Zamora, por parte da mãe. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a sua obra. Casou-se em 1945 com o estudante de Direito Alberto Luís, que conheceu através de um anúncio no jornal. Desse casamento teve duas filhas, Amélia Bessa-Luís e Mónica Bessa-Luís Baldaque. Fixou-se, entretanto, no Porto, onde faleceu.

Agustina Bessa-Luís, estreou-se nas lides literárias aos 26 anos, com a novela “Mundo Fechado”, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando mais de meia centena de obras nos escaparates. Agustina viu os seus primeiros livros elogiados por autores já então consagrados como Aquilino RibeiroFerreira de Castro Vitorino Nemésio.

Foi em 1954, com o romance “A Sibila“, que Agustina Bessa-Luís se impôs como uma das mais importantes representantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Marcel ProustHenri Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.

Agustina Bessa-Luís tem representado as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizado conferências em universidades, um pouco por todo o mundo, e vários dos seus romances foram adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

Agustina Bessa-Luís é membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo já sido distinguida com a Ordem de Sant’Iago da Espada em 1980, a Medalha de Honra da Cidade do Porto em 1988, o grau de “Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres”, atribuído pelo governo francês em 1989, o Prémio Camões, que é o mais importante prémio literário da língua portuguesa, em 2004 e, em 22 de Março de 2005, foi doutorada “honoris causa” pela Universidade do Porto, junto com Eugénio de Andrade, por serem “personalidades de prestígio no campo literário, motivadores de vocações e inspiradores de importantes estudos académicos”.

No final da cerimónia, Agustina Bessa-Luís agradeceu a distinção oferecida pela Universidade do Porto, apesar de considerar que, no seu caso, não há razão suficiente para que o doutoramento lhe tenha sido atribuído.

Agustina reconheceu ser uma honra receber o anel do letrado e dar testemunho de uma obra que, sempre imperfeita, foi realizada em liberdade de espírito.

Agustina Bessa-Luís foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, entre 1961 e 1962). Entre 1986 e 1987 foi Directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Em 2008,  a autora duriense sofreu um AVC e fica impossibilitada de sair de casa.

Agustina tinha 81 anos e mais de 50 livros publicados, um número impressionante dentro do panorama literário português. Na altura, em entrevista ao Público, admitiu que nunca lhe tinha ocorrido que, um dia, pudesse deixar de escrever. “Primeiro, não tenho medo de nada”, afirmou, admitindo que nem da morte se deve ter medo. “Quem tem medo de morrer… enfim, era melhor não nascer.”

Não adianta nada ter medo ou não da morte. Nós todos morremos, mais tarde ou mais cedo. Ainda não se inventou um ser humano que possa durar 500 anos. Então temos que enfrentar e trabalhar como se fosse sempre o primeiro dia.”

Dois anos depois depois, e pouco depois de terminar a sua última obra, A Ronda da Noite, Agustina Bessa-Luís decidiu retirar-se da vida pública devido a problemas de saúde. Apesar disso, continuou a somar galardões, admitindo sempre, com alguma ousadia, que preferia ganhar o Nobel da Paz ao da Literatura. Para a escritora, era impossível alcançar através da escrita algo de duradouro. Como uma cura para uma doença.

O mais recente, o Prémio Eduardo Lourenço (atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos da Guarda), chegou em 2015 em “reconhecimento da sua grande projeção nacional e internacional”. Para o júri, Agustina, “expoente máximo da cultura portuguesa e ibérica”, “valorizou na sua obra a profunda consonância com a grande tradição cultural ibérica, capaz de integrar e compreender Cervantes e Fernão Mendes Pinto, Nuno Gonçalves e Vélasquez”.

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