A cidade foi palco de um constante movimento de espectáculos, entendendo que o espectáculo, ligado inicialmente aos ritos religiosos e profanos é uma arte particular que os homens inventaram e diversificaram ao longo dos tempos para se distraírem, quer em comunidade ou isoladamente, da tensão da sua vida quotidiana.

Na segunda metade do século XIX a cena teatral passava não só pela dramaturgia de autores consagrados, portugueses ou estrangeiros, mas igualmente por outros autores que tentaram, de uma forma mais ou menos conseguida, aventurar-se pela escrita teatral, debruçando-se quer sobre temas históricos quer sobre os usos e costumes da sua época.
As peças apresentadas nos teatros construídos para o efeito ou nas opulentas casas da burguesia eram levadas à cena por companhias profissionais, amadoras ou por particulares amantes da arte de representar. Das fontes, até então consultadas, poucas são as alusões que se fazem aos autores desta ou daquela peça, ou cena dramática, cómica ou trágica.

Teatro do Corpo da Guarda

Ficava no Largo do Corpo da Guarda, talvez no meio da Av. da Ponte. Foi inaugurado em 15 de Maio de 1760 (outro dizem 15 de Maio de 162). Foi construído nas cavalariças do solar dos Conde de Lafões, desenhado por João Glama Stroeberle. Na sua inauguração foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Teatro do Corpo da Guarda, o primeiro teatro lírico no Porto, que funcionou entre 1760 e 1797.PALACETE DOS DUQUES DE LAFÕES - LARGO DO CORPO DA GUARDA - AS CAVALARIÇAS FORAM O PRIMEIRO TEATRO DO PORTO INAUGURADO EM 1762

“ Em 28 de Fevereiro de 1797 realizou-se o último espectáculo neste teatro. A sala teve depois destino pouco nobre: foi sucessivamente quartel de guardas de segurança pública, quartel de guarda barreiras e depósito de “calcetas” ou vadios coagidos pelas autoridades a trabalhos de pavimentação de ruas e caminhos, levando corrente amarrada à cinta e artelho do pé direito para não fugirem.”  O Tripeiro Série VI, Ano III

No trabalho de pesquisa de José Pedro Ribeiro Martins sobre o Teatro no Século XVIII encontramos a seguinte informação,

Teatro Corpo da Guarda

Neste teatro cantou a grande soprano Luíza Todi (1753/1833), a maior figura do canto português. Luiza Todi viveu no Porto entre 1771 e 1777 tendo actuado várias vezes. Isto porque D. Maria I havia proibido às mulheres representarem em Lisboa.

A falta de condições deste teatro levaram os portuenses a pensarem numa outra solução.

Teatro S. João

O Real Teatro S. João, localizado na Praça da Batalha, foi inaugurado no dia 13 de Maio de 1798, com o nome de Teatro do Príncipe, no reinado de D. Maria I e no dia do aniversário do futuro Rei D. João VI, com três peças; “O  mau gosto destruído ou o Porto desafrontado”(elogio do bacharel António Soares Azevedo), “Os militares heróis ou as vivandeiras ilustres”(comédia) e “A dama astuciosa” (farsa), muito embora tenha sido a ópera o género mais representado neste teatro e a cargo de companhias italianas.

Francisco de Almada e Mendonça foi o motor desta empreitada, a construção de um teatro que oferecesse à segunda cidade do país as mesmas oportunidades que a capital oferecia aos seus habitantes. Uniram-se as gentes do Porto respondendo às três chamadas que Francisco de Almada fez para que os portuenses contribuíssem financeiramente na construção do seu teatro já que a Coroa nunca o chegou a fazer. Vicente Mazoneschi, cenógrafo italiano do Teatro S. Carlos de Lisboa, executou o plano segundo o modelo dos teatros italianos. O seu interior, em forma de ferradura, possuía quatro “ordens”, cada uma com vinte camarotes, à excepção da primeira, que tinha mais dois. No centro da segunda estava a tribuna real.

A administração do teatro ficou sob a responsabilidade da Correição e Provedoria até 1805, sendo substituída por uma administração nomeada pelos accionistas até 1825, e a partir deste ano ficou exclusivamente sob a responsabilidade dos accionistas.

Até ao surgimento das companhias italianas de ópera, o teatro recebeu várias companhias de declamação contratadas pelo empresário conhecido pelo “Grilo Roxo”, cujas peças se destaca: Pedro o Grande ou os Falsos Mendigos, Os sete infantes de Lara, O rachador escocês e A revolução de 24 de Agosto, de Bingre.

Outras companhias se apresentam no S. João, nomeadamente a da actriz Emília das Neves, que no dia 8 de Janeiro de 1851, antes de partir para o Brasil, leva à cena  Adriana Lecouvrer de Eugéne Scribe, a Condessa de Sennecey, em Março do mesmo ano, As duas Coroas em Junho. A Companhia residente do Teatro Nacional D. Maria II traz ao teatro a obra de Camilo Castelo Branco, Espinhos e Flores, em 1857, voltando Emília das Neves com a Dama das Camélias, de Alexandre Dumas (filho) e em 1903 a Companhia Rosa e Brazão apresenta O Regente de Marcelino Mesquita.

 

Sobre este teatro e o público que em 1850 o frequentava escreveu Camilo no Nacional, no seu artigo Que é o Porto?, ”A plateia esteve n’uma constante deslocação de maxilas. Os que não dormiam calculavam quanto algodão para carpins podiam comprar por 480 réis – os que dormiam acordavam estremunhados ao estrondo ferimento de uma oitava, perguntavam ao visinho senão havia fraca. Os que davam palmas seriam necessariamente os entendedores.”

Enumeramos algumas peças levadas à cena por companhias portuguesas, mas na realidade foram as companhias italianas que se instalaram neste teatro privilegiando o género lírico mas, outros géneros foram apresentados pelas mesmas, tal como era hábito em quase todos os teatros da época, a apresentação de mais que um género de espectáculo na longa noite que se iniciava cerca das 20H30.

|Miguel Strogoff | Adriana Lecouvreur |A Condessa de Sennecey | As duas coroas-O dote de Susana |I Due Foscari |Hernâni-Ildegonda |D. Bucéfalo |O barbeiro de Sevilha |Os Lombardos |Fenómenos-Mateus Veteranos |Lúcia de Chamounix| Anjo e Demónio |O cozinheiro político |Lúcia de Lamermoor |Rigoletto-D. Sebastião Rei de Portugal |A criada grave |O cavaleiro de S.Jorge |Maria de Rohan |As viúvas solteiras |A sonâmbula |O trovador |Norma |Buondelmonte |Átila |Celini a Parigi |Manasdieri |Quem será seu pai? |Um quarto com duas camas |

Na noite de 11 de Abril de 1908 foi consumido por um incêndio sendo seu empresário, na altura, Luís Faria.

José Marques da Silva ganha o concurso para construção do novo teatro cuja inauguração se dá no dia 7 de Março de 1920 e adquirido pelo Estado português.

Teatro Camões/ Variedades

O Teatro Camões, mais tarde Variedades, situado na Rua das Liceiras, hoje Alferes Malheiro, é inaugurado no dia 15 de Dezembro de 1847. Começa a ser frequentado, em 1850, por escritores da época, nomeadamente Camilo Castelo Branco, Ricardo Guimarães, Evaristo Basto, Moutinho de Sousa, entre outros.

Sobre este Teatro escreveu Camilo Castelo Branco no Folhetim da Aurora do Lima, em 30 de Junho de 1858: “Porque motivo o público não frequenta o Teatro das Variedades e transpira agradavelmente no Teatro S. João, isso não sei eu. Posso, todavia, asseverar-te que as peças representadas pela companhia do Ginásio são realmente inferiores ao talento dos artistas. Afora os Mistérios Sociais do Correia de Lacerda, drama sem novidade, mas não obstante digno de ser visto e aplaudido, as demais peças são menos de medíocres, e até certo ponto acanham e arriscam a habilidade dos actores.”

Um dos seus últimos empresários foi o pai de José Arroio (1856-1934) e a companhia que lá se instalou foi a Companhia Dramática Portuense. Cerca de 1858, já em grande decadência, o proprietário passou a chamar-lhe Teatro de Variedades apresentando espectáculos de baile, mímica e ginástica

Sousa Bastos refere, na sua obra Recordações de Teatro, que este teatro faliu em 1860, mas verifica-se que, através da imprensa da época, nomeadamente O Comércio do Porto, este teatro continuou para lá desta data a sua vida dramática e a comprová-lo está o pedido de licença, registado em 12 de Novembro de 1875, em nome de Narciso da Costa Figueiroa, para a realização de espectáculos dramáticos pelo prazo de um ano, em benefício da Caixa de Socorros Mútuos.

Teatro Circo do Príncipe Real

teatro circo - baile de máscarasO Teatro Circo do Príncipe Real, mais tarde e com a implantação da República –  Sá da Bandeira, é inaugurado a 4 de Agosto de 1855 como Teatro Circo. Era, então, um barracão de madeira, mandado construir por D. José Toudon Ferrer Catalon para a sua companhia equestre.
Em 1867 foi demolido construindo-se um teatro em pedra que seria considerado como a melhor sala de teatro da cidade porque se encontrava já equipada com luz eléctrica. Até à abertura da rua Sá da Bandeira, em finais da década 1870, quando foi construída a sua fachada para aquela rua, o teatro tinha acesso apenas pela Rua de Santo António.

Teatro Stª Catarina

O Teatro de Santa Catarina situado na Rua de Santa Catarina, construído por Joaquim António da Silva Guimarães, no local onde esteve a funcionar a Camisaria Confiança, sendo hoje o Grande Hotel do Porto, funcionou, pelo menos, entre 1855 e 1858 tal como nos apresenta O Comércio do Porto, anunciando os seus espectáculos. Poesia, uma exposição de pintura, comédias e dramas, estiveram a cargo da Sociedade de Juventude Dramática, Companhia Nacional do Real Teatro S. João, por M. Fritz e pela Companhia Lírico Dramática Espanhola. Várias peças foram lá representadas tais como: Frei Luís de Sousa, Carlos III ou a Inquisição de Espanha, Pobre de Ruínas, Joana a doida, Mulher que deita cartas.

Teatro das Carmelitas

O Teatro dos Carmelitas existia, em 1864, na cerca dos Carmelitas, era um barracão que servia de teatro popular, depois de ter servido para exposição de uma colecção de feras de Barnabó, um empresário da época. Segundo Magalhães Bastos neste teatro popular onde actuou o tenor Osório, era frequente o diálogo entre actores e público. Após ter sofrido um incêndio foi reconstruído por Agostinho Lopes Cardoso e aí funcionaram diversas companhias: Carlota Veloso, Maria da Luz, Maria Joana Pereira, Dias, Cardoso Galvão, Abel, Carlos Pereira. Também viria a sucumbir por incêndio.
Segundo José Martins, num artigo do Tripeiro, este teatro foi devorado por um incêndio no ano de 1872, sendo posteriormente reconstruído. Encontrava-se a funcionar em 1876/77 altura onde José Martins viu subir à cena o auto O Nascimento do Menino Jesus. Em 1880 esteve alugado a um francês para exposição de um museu anatómico e figuras de cera

Teatro Minerva

Situava-se na Travessa da Fábrica e pertencia a um particular, David Castro, filho da baronesa de Nevogilde, David de Castro e esposa, amadores dramáticos, mandaram edificar este teatro particular em 1865, o qual possuía um largo balcão e plateia. Já na sua decadência passou a ser cedido ou alugado a diversas sociedades para aí realizarem os seus espectáculos, tal como se pode verificar pelo pedido de licença solicitada para apresentação de um espectáculo de declamação, pelo prazo de um ano, em nome de Carlos Pereira e em benefício da Caixa de Socorros Mútuos dos Actores. Segundo O Comércio do Porto, de 26 de Outubro de 1868, foi apresentado neste teatro um sarau cujo autor foi Francisco Pereira da Costa, “coadjuvado por vários artistas e amadores”, com uma bilheteira que custava 500 reis.

Teatro Stº António

O Santo António que através do Comércio do Porto se conhece a apresentação, em 1856 . Em 1857 anuncia o espectáculo Quadros dissolventes pela Companhia M. Fritz, em cena durante um mês . Júlio Moutinho, num dos seus artigos no Tripeiro , sugere que este teatro se situava na Rua de Santo António, próximo ou mesmo na casa onde mais tarde se instalou a joalharia Reis, Filhos.

Teatro Popular e Gil Vicente

Os Teatros Popular e Gil Vicente faziam parte do Palácio de Cristal, inaugurado em 18 de Setembro de 1865 pelo rei D. Luís, e concebido para acolher a Exposição Internacional do Porto, organizada pela Associação Industrial Portuense, cobrindo uma área de 7.900 m2. O interior da nave central, ostentando de cada lado uma galeria, rematava ao fundo com uma ampla rotunda onde se instalara o palco do “Teatro Popular”, que servia também de tribuna para quaisquer exibições colectivas. Nesse palco ficou instalado um órgão fabricado por C. M. Widor, estimado na opinião dos técnicos como um dos melhores do Mundo e o qual fora adquirido, em segunda mão, por sete contos.
No ângulo cimeiro da nave lateral a nascente existia igualmente um outro teatro, o “Gil Vicente”, mais modesto, mas com capacidade para 800 espectadores que, segundo a vistoria realizada em 18 de Junho de 1897 ainda não se encontrava em condições para receber espectáculos de teatro, só em Dezembro de 1899 é que foi dada autorização para a realização de todo o tipo de espectáculos e quaisquer divertimentos ou reuniões públicas, por estarem asseguradas todas as condições de segurança.
Muito embora a autorização final tenha a data de 1899, o Comércio do Porto de 1866, e anos subsequentes, notícia os diversos espectáculos musicais, instrumentais e vocais, de acrobacia, de ginástica e também de teatro, que se vão realizando no Palácio de Cristal, quer nos seus teatros, quer nos belíssimos jardins que o circundam. Verifica-se, também, que são pedidas licenças para o ano de 1876, pela Direcção do Palácio de Cristal para a realização de espectáculos de declamação, canto, concertos vocais e instrumentais, bailes e ginástica.
Várias foram as Companhias que por lá actuaram, do Porto e de Lisboa, publicitadas pelo no Comércio do Porto convidando a população portuense, nomeadamente a Companhia Dramática Portuense, uma representação de artistas japoneses em conjunto com a Companhia de Zarzuela, Companhia Imperial Japonesa, Companhia Dramática Nacional da Rua dos Condes, Companhia de Circo do Príncipe Alfonso de Madrid, Companhia de Teatro das Variedades, entre outras. De salientar que foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota e da violoncelista Guilhermina Suggia.
Apenas como curiosidade, e tendo como fonte o jornal o Comércio do Porto, verificou-se uma média de dez espectáculos por mês no ano de 1868, verificando que alguns deles são apresentados duas vezes no mesmo dia e dos mais variados géneros.

Teatro Melo

Na Rua dos Clérigos, encontrava-se num dos andares do edifício em tempos funcionou um estabelecimento da Aveleda

Teatro da Trindade

O Teatro da Trindade, situado na Cancela Velha, ao cimo da Rua de D. Pedro e cujas traseiras davam para a Rua do Laranjal. Gerido por António Pais da Silva, responsável pela sua construção, inaugurou-se, no dia 12 de Fevereiro de 1874, com a opereta em três actos, de Álvaro Rente, O diabrete, acabando por arder em 16 de Junho de 1875, dia em que se representava a mágica A pata de cabra.

Sousa Bastos refere-se a este teatro elogiando-o da seguinte forma: “A construção do teatro era elegante; a sala era vasta, tendo três ordens de camarotes, amplos fauteuils almofadados, além dos lugares inferiores. Tinha largos corredores, um belo átrio, tendo à esquerda um espaçoso botequim e, à direita, bilhares e tabacaria. O palco era grande, com um pátio ao fundo e, à direita, um anexo com muitos e bons camarins.”
Acabou por arder em 16 de Junho de 1875, dia em que se representava a mágica A pata de cabra. Este teatro foi novamente edificado mas agora como um amplo barracão de madeira com capacidade para 600 a 800 pessoas, cujo empresário foi José Dallot. Certo é que segundo a vistoria realizada no dia 17 de Dezembro de 1882, este teatro não usufruía das condições necessárias para funcionar como casa de espectáculos, pedindo-se o seu encerramento.

Teatro dos Recreios / D. Afonso/Éden

O Teatro dos Recreios, mais tarde D. Afonso, localizado na Rua Alexandre Herculano, freguesia de Sé, foi mandado construir por Miranda Lima. Era um teatro-barraca com o nome inicial de Teatro dos Recreios, cujo primeiro empresário se chamava Júlio César. Em 22 de Junho de 1875 foi vistoriado e concedida a licença, por ano, para a realização de espectáculos dramáticos, canto e baile Foi inaugurado como D. Afonso em 22 de Outubro de 1885 com a peça D. Quixote, uma adaptação da obra de António José da Silva, cujo protagonista foi o actor Alfredo Carvalho.

Fausto, Sombra do Rei, foram algumas das peças que a empresa Coelho Ferreira pôs em cena em 1886, acabando o ano teatral com as empresas de Joaquim Barbosa e do alfaiate Serafim da Rua de Stº António. A partir de 1887 a 1888 o teatro sofreu obras de remodelação e apresentou como estreia o drama O filho da Noite. Com a entrada de Ciríaco Cardoso e uma nova remodelação das instalações o teatro adoptou o nome de D. Afonso, no qual se instalou uma companhia de ópera cómica.

Em 1890 uma nova empresa toma as rédeas do teatro, formada pelos artistas Taveira Santos e José Ricardo levando á cena as peças; O Porto, O Reino das mulheres e Três mulheres para um marido. Mudou esta empresa para o Teatro do Príncipe Real, assumindo a programação outras empresas tais como: Manuel Benjamim, Guerra, Coelho Ferreira e Del – Negro. Em 1913, mudou o seu nome para Éden. Foi aqui que os revoltosos da Monarquia do Norte tiveram o seu quarte-general.Mais tarde, em 1919, o teatro foi demolido.

Teatro Júlio Dinis

O Teatro Júlio Dinis, inaugurado em 1881 situava-se num edifício da Rua de Santa Teresa, nr. 5, era mais um teatro particular para amadores, cuja licença para construção de um teatro “mechanico”, tal como consta no Arquivo Distrital do Porto, foi pedida em nome de João da Silva, no dia 26 de Junho de 1873.

Teatro Recreio de Família

O Teatro Recreio de Família que estava situado, por volta de 1881, na Rua do Bonjardim, no troço compreendido entre as actuais ruas de Gonçalo Cristóvão e João das Regras, é mais uma sala de espectáculos. Teve como director um ferroviário de nome Júlio Moutinho.

Teatro Vasco da Gama

vgplantaNuma propriedade que herdou na Foz do Douro, decidiu João Leite da Gama abrir algumas ruas e edificar um teatro, que denominou de Vasco da Gama, seu administrador – Ferreira Mendes d’Araújo e secretário – Artur Ferreira da Costa Barros. Em 1887, este teatro funcionava instalado num grande edifício, com camarotes, plateia e geral, mas só em 1897 o mesmo se encontrou em condições de segurança para ser aberto ao público até ao ano de 1903.

16 camarotes a 1.500 reis
150 cadeiras a 300 reis
150 gerais a 200 reis
200 galerias a 100 reis
50 balcão a 300 reis

Nas respectivas vistorias identifica-se um dos empresários, António Claudino Fernandes dos Reis que solicita, pelo prazo de seis meses, a licença para realização de espectáculos dramáticos, canto e baile No século XX exibiu cinema mudo e mais tarde serviu de sede ao Ginásio Clube da Foz. Foi demolido por volta de 1945. Desapareceu o teatro, mas ficou o nome da rua.

Teatro Carlos Alberto

Localizado na Rua das Oliveiras, na freguesia da Vitória, adoptou o nome do rei da Sardenha que morreu exilado no Porto, em 1849. Este teatro foi construído no então jardim do palacete do Barão do Valado, por Manuel da Silva Neves, sendo inaugurado no dia 14 de Outubro de 1897, com a opereta O Diabo. (BARROCA, 2008:36)

Dos finais do século XIX a princípios do século XX, foi um espaço vocacionado para a apresentação de espectáculos de cariz popular: do “circo de cavalinhos” às operetas, do teatro ligeiro e de revista ao cinema. O Tripeiro destaca em numa das suas edições de 1908 o êxito da revista Tim tim por Tim Tim e da mágica o Olho do Diabo. Nele trabalharam as companhias como: José Ricardo, que apresenta Flor de rua e O camponês alegre, Alfredo Miranda, com Contas do Porto (1909) e a Empresa Teatral Portuense com o teatro de revista Às armas, passados sete dias da implantação da República. Com o nome de Auditório Nacional Carlos Alberto, depois de ter sofrido uma grande remodelação, já no século XX, adopta o nome de TeCa, Teatro Carlos Alberto.

Teatro Circo Águia d’Ouro

Teatro Circo Águia d’Ouro, instalado na Praça da Batalha, Freguesia de Santo Ildefonso no bairro oriental, de Café Águia d’Ouro, onde Camilo Castelo Branco costumava jogar dominó, e Antero de Quental se sentava nos finais de tarde, passou a Teatro Circo Águia d’Ouro e em 1910, pela mão de Manuel Neves, a Cinematógrafo Águia d’Ouro.
Na vistoria datada de 16 de Maio de 1898 apenas lhe foi concedida licença para espectáculos de circo, e assim permaneceu até à vistoria de 4 e Abril de 1900, a qual verificou as condições necessárias para o funcionamento de um palco cénico, permitindo ao então proprietário, João Baptista de Carvalho, a apresentação de espectáculos dramáticos, de canto, acrobáticos, ginásticos, equestres e bailes.
Apresentam-se, então, as companhias de teatro; o Grupo Dramático Taborda, a grande Companhia de Opereta de José Ricardo do Teatro Avenida de Lisboa que apresenta, em 1908, a revista A B C que, segundo O Tripeiro, obtém um enorme êxito, destacando-se como actriz Júlia Mendes, a Companhia Portuguesa de Ópera Cómica e Opereta e a Companhia Portuguesa de Opereta do Teatro Carlos Alberto. Diz Norberto Barroca: “Lá se realizaram espectáculos do Club dos Fenianos Portuenses com as primeiras peças da parceria Arnaldo Leite e Carvalho Barbosa.”
No dia 16 de Novembro de 1900 passa o filme de Baillac & Pigassou (realização e fotografia), um documentário sobre a Praça de D. Pedro, no dia 23 de Novembro, do mesmo ano, uma reportagem por Baillac & Pigassou, do Royal Kosmograph. A 8 de Setembro de 1906 estreia neste teatro El-Rei de Portugal em Paris, em apresentação do Cinematographo Parisiense, da Pathé. O cinema chega em força pela mão de Manuel Neves, em 1910, adoptando o nome de Cine-Teatro Águia D’Ouro.

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